Mais Sweet Charity
A dança é a estrela na encenação exemplar do musical de Neil Simon
Sweet Charity: Montagem em cartaz no Vivo Rio comprova a maturidade do gênero no Brasil
TEATRO - CRÍTICA - Barbara Heliodora
A montagem de "Sweet Charity", em cartaz no Vivo Rio, precisa ser comemorada, acima de tudo, como prova da maturidade do teatro brasileiro na área dos musicais, pois é fácil esquecer o quanto um espetáculo com essas exigências ficava além de nossa capacidade ainda há relativamente pouco tempo; enquanto tão gratificante ou até mais é o número e o nível de execução em canto e dança, igualmente recente.
É mais do que sabido que o texto do musical é (remotamente) baseado em "Noites de Cabíria". Mas, como Neil Simon não é Fellini, o tom do todo fica completamente alterado, e com a música de Cy Coleman e Dorothy Fields o resultado é o de um típico roteiro de musical americano, tudo isso coroado pela fantástica coreografia de Bob Fosse. E é para este conjunto que Claudio Botelho faz (mais uma vez) uma tradução exemplar, na qual as letras sempre cabem corretamente nas músicas.
Recriação impecável da coreografia de Bob Fosse
"Sweet Charity" tem um título tão marcante quanto intraduzível, já que "Caridade" não é nome usado em áreas lusófonas — uma pena, porque o jogo com o nome da protagonista é significativo. O musical já tem 41 anos e na realidade fica um tanto datado, tanto na ingenuidade de sua trama (que perdeu a profundidade do original italiano) quanto por suas referências ao colorido período hippie.
A montagem brasileira é exemplar, com os bons cenários de Marcelo Larrea e Chris Aizner muito bem executados, e os ótimos figurinos de Emilia Duncan e Marcelo Lopes, tudo muito bem iluminado por Wagner Freire. A direção musical é de Miguel Briamonte (executada por ótimo conjunto regido por Carlos Bauzys), tudo com a surpervisão de Claudio Botelho.
E impecável é a recriação de Alonso Barros para a coreografia de Bob Fosse, que inclui um alegre momento de samba no pé. A direção-geral é de Charles Möller, que equilibra a modéstia dos diálogos falados com a exuberância da dança e cria bem o universo das "dançarinas de aluguel".
Claudia Raia explora suas qualidades de dançarina
"Sweet Charity" é a realização de um sonho acalentado durante anos por Claudia Raia, que compensa com uma dose de humor autocrítico o conflito entre seu físico e o personagem, por quem ela obviamente tem imenso carinho, e tem oportunidade para explorar ao máximo suas altas qualidades de dançarina. Marcelo Médici é um Oscar Lindquist simpático; Ricca Barros está adequadamente vaidoso como Vittorio; Marcelo Pereira, corretamente mau caráter; e Edson Montenegro defende seu Daddy. Katia Barros e Renata Villela estão muito bem como Nickie e Helene, mas é indispensável dizer que Bruno Kimura, Carol Mariottini, Ciça Simões, Daniel Nunes, Estela Ribeiro, Floriano Nogueira, Hélcio Mattos, Keila Fuke, Klenio Casarini, Liana Melo, Luciana Bollina, Luiz Pacini, Paula Gelly, Priscila Sanches, Renato Bellini, Rodrigo Vicente, Thiago Jansen e Vanessa Costa são, junto com Claudia Raia, responsáveis pelo melhor de "Sweet Charity", que são os grandes números de dança, impecável e brilhantemente executados.
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Ao contrário do que dizia a figura ao lado (do site da Vivo Rio, capturada na semana passada), a temporada de "Sweet Charity" no Rio vai se estender até dia 13 de maio de 2007. Se você ainda não viu ou quer ver de novo, aproveite: clique
Reportagem de capa do Segundo Caderno de O Globo de ontem, 19.04.2007, sobre a estréia de hoje, 20.04.2007, no Rio:
Relaxa, Claudia! Felicidade se vê estampada na cara do elenco e dos músicos. Talvez a equipe técnica plantada desde a meia-noite de domingo no Vivo Rio, transformando o palco da casa de espetáculos na Nova York da década de 60, não esteja tão sorridente quanto eles. Não por insatisfação, mas sim pelo esforço, inevitável em produções de grande porte -- os custos da montagem de "Sweet Charity" estão em torno de R$ 500 mil por mês, incluindo mídia, transporte, hospedagem e alimentação dos 27 atores e bailarinos —, de carregar fios e regulando estruturas cênicas. Entre elas o elevador onde Charity conhece a potencial paixão de sua vida: o contador Oscar Lindquist (vivido pelo ator Marcelo Médici).
O espetáculo "Sweet Charity" continua em cartaz no Citibank Hall durante este mês de janeiro. Estrelado por Claudia Raia (foto) e Marcelo Médici, o espetáculo tem coreografias originais de Bob Fosse, é inspirado no filme de Frederico Fellini "Noites de Cabíria" (1964) e tem direção da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller em cima do texto de Neil Simon. Próximos dias e horários:

